Desconfiança e privacidade levam usuários de redes sociais a buscarem novas plataformas

No ano passado, o mundo das redes sociais foi abalado por diversos escândalos. O Facebook, com seus mais de 2.2 bilhões de usurários ativos por mês, foi uma das redes que mais esteve na mira desses ataques, com acontecimentos que prejudicaram o filho querido de Mark Zuckerberg.

O primeiro, e maior deles, foi o compartilhamento dos dados pessoais de cerca de 87 milhões de usuários da plataforma em 2018. Isso foi possível devido a permissões concedidas pelos próprios adeptos da rede ao participarem de um quiz criado por Aleksander Kogan, professor da Universidade de Cambridge. Os dados coletados por Kogan foram fornecidos à empresa inglesa Cambridge Analytica, que atua com análise de dados e comunicação estratégica para processos eleitorais. O problema, segundo o próprio Zuckerberg, foi a violação das políticas e regras da plataforma, ao fazer a coleta e repassá-la para terceiros, sem deixar claro a finalidade do material. O caso se tornou tão sério que levou o dono do Facebook a prestar contas no Senado americano, em um depoimento histórico que durou cerca de cinco horas.
 
Outro tumulto protagonizado pela rede foi a atuação de hackers por meio de uma brecha de segurança no sistema, também em 2018. Mais de 50 milhões de contas foram invadidas e, entre elas, perfis que possuíam cadastros de cartões de crédito e informações financeiras. A repercussão foi tão negativa que diversos usuários deletaram suas contas e saíram da plataforma social.
 
A mais recente brincadeira que levantou suspeitas foi o “Desafio dos 10 anos”, em que os participantes deveriam publicar fotos próprias de 2009 e 2019 usando a hashtag #10yearchallenge para mostrar as mudanças físicas neste intervalo de tempo. Com a rápida repercussão, alguns especialistas começaram a duvidar da proposta do desafio, que poderia ser uma forma de “ensinar” algoritmos usados em sistemas de reconhecimento facial.
 
Por conta dessa corrente de escândalos, o Facebook sofreu uma grande desvalorização no mercado, perdendo mais de 400 bilhões de reais em ações em um dia. Com essa grande desconfiança e a necessidade de privacidade, seus usuários acabaram por procurar novas plataformas para suprir suas necessidades de interação online. Essa foi a chance de outras redes ganharem adeptos e crescerem nos seus negócios.

 
A ascensão do Instagram: plataforma jovem e aparentemente mais segura
Nesse processo, o escolhido pela maioria desses usuários foi o Instagram, que alcançou o marco de 1 bilhão de usuários ativos em junho de 2018. Ainda que a migração não seja a solução para salvar os dados, uma vez que o Facebook adquiriu a empresa em 2012, a percepção do usuário é de uma rede mais segura.
 
O Instagram possui ferramentas que podem garantir as necessidades de privacidade e interação que o público anseia. A verificação de segurança em dois fatores, amplia a segurança da conta, informando por SMS ou e-mail um código para efetuar o login na rede. Além disso, algumas funcionalidades trazem a sensação de intimidade entre os usuários, como a integração com outros aplicativos como o Spotify, que permite compartilhar a música que o usuário está ouvindo e o Instagram Stories, implementado à rede após perceberem o sucesso do Snapchat. A divulgação de fotos e pequenos vídeos, geralmente produzidos e editados com GIFs, filtros, enquetes, e que duram 24 horas, deixam os usuários com a falsa impressão de segurança, ficando menos inibidos e gerando proximidade com quem está do outro lado da tela.
 
Mas não é apenas pela segurança que o Instagram se tornou popular. Segundo dados levantados pelo Statista, empresa alemã especializada em estatísticas, chega a 5% o crescimento trimestral de usuários ativos que, em sua maioria, é de jovens entre 19 e 29 anos. Outro estudo sobre marcas e comportamento do consumo dos adolescentes, o Taking Stock With Teens, afirma que esses jovens são atraídos porque a rede social é dinâmica, atual e, principalmente, ausente de pais, mostrando a essência dos millennials, jovens criados com a presença de fotografias e vídeos digitais.
 
Produtores de conteúdo de olho nessas mudanças
Se esses jovens migram em busca de mais privacidade ou conteúdos diferenciados, como fidelizar esses usuários e gerar ainda mais interesse? O IGTV, por exemplo, que possibilita a publicação de vídeos com duração de até 60 minutos, foi uma aposta do Instagram para que marcas tenham mais engajamento com esse público sedento por novidades. O Postgrain, serviço online para gerenciamento de contas do Instagram aposta que, em 2019, a rede deve investir na monetização do IGTV, dando aos criadores de conteúdo a possibilidade de gerar lucros com os vídeos produzidos.
 
Alguns exemplos de empresas que se renovam no Instagram são os jornais britânico The Guardian e o nacional Diário de Pernambuco. Os perfis dos dois veículos atualizam seus seguidores de forma mais descontraída, usando manchetes nos stories para captar a atenção ou, até mesmo, divulgando vídeos das principais notícias.
 
No final do ano passado, a emissora SBT deu um grande passo em direção à internet ao  produzir um especial de natal especialmente para o Instagram com atrizes populares entre o público jovem. Uma delas foi a queridinha da emissora Maísa Silva. Além de atriz, modelo, dubladora, apresentadora e cantora, ela também já se denomina youtuber com seu canal pessoal com mais de 5 milhões de inscritos. A websérie #CiladasDeNatal, veiculada pelo IGTV, levou para a tela do celular situações vividas pelos adolescentes durante as reuniões de família no fim de ano e se tornou pioneira na produção de um conteúdo exclusivo para a rede.
 
As pessoas anseiam por interações no mundo digital. Mas, agora, é preciso que essas plataformas entendam seu público e saibam que estão cada vez mais exigentes. Segurança, privacidade e bons conteúdos têm sido a maior demanda deles e, a qualquer vacilo, não se intimidam em exigir mudanças e explicações.
O Facebook, apesar das ocorrências, adotou medidas importantes e urgentes para rever suas políticas e ainda continua sendo a rede mais relevante para trabalhar determinado projetos de empresas e marcas. É a rede social precursora que abriu espaço para que outras plataformas entrassem no mercado, colaborando para ampliar, ainda mais, conteúdos relevantes e bem construídos.
Agora, só resta que essas grandes redes sociais reconquistem a confiança de seus usuários e, assim, continuem conectando pessoas ao redor do mundo.

Internet das Coisas: o mundo todo conectado. Estamos preparados?


 
Já vivemos a era dos objetos conectados. Relógios, computadores, smartphones e até objetivos domésticos já estão ligados à internet, permitindo resolver diversas coisas a um toque em dispositivos que cabem na palma da sua mão. Bem-vindos à Internet das Coisas.
 
O termo, conhecido originalmente em inglês como Internet of Things (IoT), foi mencionado ao mundo pela primeira vez em 1999 pelo executivo britânico Kevin Ashton, em uma palestra na Procter & Gamble (P&G). Com uma pesquisa iniciada em parceira com o Massachusstts Institute of Technology (MIT), Ashton analisava uma forma de rastrear os produtos da sua empresa para gerir melhor sua distribuição, criando a necessidade de conectar, de alguma forma, as embalagens à internet.
 
Ainda que anos antes já se discutia sobre um mundo inteiro conectado, foi a partir dessa data que as pesquisas evoluíram. Um estudo realizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) no final de 2017, prevê que, até o final de 2025 o impacto de IoT na economia global seja de 4 a 11 trilhões de dólares. No Brasil, a estimativa é de 50 a 200 bilhões de dólares de impacto econômico anual.
 
Para Eduardo Magrani, professor da Escola de Direito do Rio de Janeiro e pesquisador do Centro de Tecnologia e Sociedade (CTS), em matéria para o Portal FGV, o impacto a IoT vem sendo atrelado ao conceito, ainda em construção, de Quarta Revolução Industrial, caracterizada por uma Internet onipresente e móvel, por sensores e dispositivos que cada vez se tornam mais baratos e menores e pelo desenvolvimento da inteligência artificial.
 
“A IoT poderá alterar significativamente a maneira como vivemos. O futuro aponta, por exemplo, para pulseiras e palmilhas inteligentes que compartilham o quanto alguém andou a pé ou de bicicleta, ou dispositivos de saúde interconectados, que permitem um monitoramento mais constante e eficiente, além de uma interação mais eficaz entre paciente e médico.”
 
Saiba mais sobre a Internet das Coisas no vídeo abaixo do Tecmundo Explica:
 

Ainda segundo o relatório do BNDES, é na Indústria que o impacto da IoT virá mais rapidamente. O aumento da produtividade pode vir com a integração de pequenas e médias empresas, acelerando a implantação da Internet das Coisas para o desenvolvimento sustentável da sociedade brasileira, aumentando a competitividade da economia, fortalecendo as cadeias produtivas nacionais e promovendo a melhoria da qualidade de vida das pessoas.
 
Entendendo a importância desse investimento a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (EMBRAPII), cliente Atelier Imagem e Comunicação, em parceria com o BNDES e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), abriram um edital no início de novembro de 2018, para o investimento de até R$ 15 milhões no experimento da indústria na área de IoT. O dinheiro deverá ser aplicado na construção de ambientes de testes de soluções tecnológicas (testbeds), como laboratórios, na compra de equipamentos nacionais, importados e de softwares, na remuneração da equipe, entre outras despesas necessárias para realizar os projetos.
 
José Luis Gordon, diretor de planejamento e gestão da EMBRAPII, falou sobre a importância dos testbeds para experimentar diferentes necessidades e protocolos, já que cada empresa tem uma realidade distinta. Essas simulações já tiveram sucesso nos países com a indústria mais avançada e “é um marco importante para o setor empresarial. Não existe desenvolvimento de nenhum país sem uma indústria forte”, declarou.

EMBRAPII ganha espaço em reportagem da revista Exame

A Embrapii, Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial, ganhou espaço em ampla reportagem da edição especial da revista Exame – Melhores & Maiores – As 1000 Maiores Empresas do Brasil, intitulada “Sem inovar, Brasil abre mão de uma rota para sair da crise”, com tiragem de 185 mil exemplares. A Atelier de Imagem e Comunicação é responsável pela Assessoria de Imprensa da Embrapii.
Segundo o veículo, falar da dificuldade de inovar no Brasil é como criticar a Seleção Brasileira de Futebol: todo mundo tem algum palpite. A Embrapii, empresa criada em 2013, é vista como um exemplo de como driblar alguns entraves que tornam a inovação no Brasil coisa para abnegados, tendo como objetivo ajudar os institutos de pesquisa e os laboratórios brasileiros de universidades a escolher uma vocação, de acordo com a melhor especialidade de cada um deles.
Em três anos de funcionamento, a Embrapii já conseguiu cadastrar 17 institutos dessa forma. Cada um tem 16 metas mensais, como prospecção de clientes, participação em eventos e taxa mínima de sucesso de projeto. “Nossa meta de longo prazo é cadastrar 1.000 institutos de pesquisa na próxima década”, diz Jorge Almeida Guimarães, presidente da Embrapii. Um dos projetos em andamento envolve o centenário Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), vinculado à Universidade de São Paulo (USP), e credenciado na Embrapii como especialista em alto desempenho de materiais.
A Embrapii é mantida através de recursos dos ministérios da Educação e da Ciência. Patrocina um terço do valor dos projetos e o restante é negociado entre cada instituição de pesquisa e seus clientes. Até hoje, a empresa investiu R$ 54 milhões para cobrir um terço das despesas de 60 projetos.
Confira a matéria na íntegra:
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