Folha de S. Paulo abandona conta no Facebook

Tradicional jornal paulistano não atualizará mais a sua conta na rede social de Zuckerberg
 
Nesta quinta-feira, 8 de fevereiro, o jornal Folha de S. Paulo anunciou que não publicará mais em sua conta no Facebook. A decisão faz parte do novo plano editorial do tradicional periódico, divulgado no último ano e reforçada após Mark Zuckerberg divulgar mudanças no algoritmo da rede, que dará mais visibilidade aos conteúdos de interação pessoal, diminuindo o número de pessoas alcançadas pelas postagens realizadas por empresas, marcas, órgãos ou instituições.
 
Segundo a Folha, as mudanças no algoritmo reforça a tendência do usuário permanecer em bolhas de opiniões e convicções, desfavorecendo o diálogo e aumentando a propagação das “fake news”. Desta maneira, não existe garantia de que o leitor ou o receptor de determinado link de notícias terá acesso a uma posição diferente ou questionadora sobre o assunto. Esses problemas foram agravados nos últimos anos pela distribuição em massa de notícias falsas, como ocorreu na eleição presidencial dos EUA em 2016.
 
Para o jornal, existe um problema de identificação na rede social do que é conteúdo relativo a jornalismo profissional e o que não é, exponencializado pelo novo algoritmo. As redes sociais, que poderiam ser um ambiente de convívio e intercâmbio, estimulam a reiteração de convicções e opiniões. Neste sentido, o desejo da Folha de S. Paulo é enfatizar a sua condição de praça pública, em que se contrapõem os mais diversos pontos de vista e a variedade de diálogos sobre um determinado assunto.
 
Em janeiro, por exemplo, o volume de compartilhamentos, comentários e curtidas das 10 maiores páginas de jornais brasileiros no Facebook caiu 32%, em comparação como o mesmo mês de 2017. Com a queda no alcance das páginas, o Facebook perde espaço como fonte de acessos a sites de jornalismo. Atualmente, a Folha de S. Paulo possui 5,95 milhões de seguidores, é o maior jornal brasileiro na rede social.
 
No passado, a rede utilizou a estratégia de cooptar as empresas de mídia por meio do Instant Articles, que é um maneira de os veículos transferirem gratuitamente o conteúdo para a rede social, mas sem direito de cobrar por ele. Em troca, ganharia a aceleração da página. Neste projeto, a única remuneração era sobre a veiculação de anúncios no Facebook, mas a Folha não aceitou as condições impostas pelo Instant Articles.